Em Gleam é comum escrever e usar funções de ordem superior, ou seja, funções que recebem outras funções como argumentos. Às vezes, ao usar muitas funções de ordem superior de uma só vez, o código pode ficar difícil de ler, com muitas camadas de indentação.
Por exemplo, aqui está uma função que chama várias funções que retornam Result(Int, Nil) e soma os valores se todas as quatro forem bem-sucedidas.
import gleam/result
pub fn main() -> Result(Int, Nil) {
result.try(function1(), fn(a) {
result.try(function2(), fn(b) {
result.try(function3(), fn(c) {
result.try(function4(), fn(d) {
Ok(a + b + c + d)
})
})
})
})
}
As expressões use de Gleam permitem escrever esse código sem a indentação, o que muitas vezes deixa a leitura mais fácil.
import gleam/result
pub fn main() -> Result(Int, Nil) {
use a <- result.try(function1())
use b <- result.try(function2())
use c <- result.try(function3())
use d <- result.try(function4())
Ok(a + b + c + d)
}
Uma expressão use recolhe todas as instruções seguintes do bloco e as passa como uma função de callback, na condição de argumento final da chamada de função. As variáveis entre a palavra-chave use e o símbolo <- são os nomes dos argumentos que serão passados para a função de callback.
// This use expression
use a <- function(1, 2)
io.println("Hello!")
a
// Is equivalent to this normal function call
function(1, 2, fn(a) {
io.println("Hello!")
a
})
A função de callback pode receber qualquer número de argumentos, ou nenhum.
use a, b, c, d <- call_4_function()
use <- call_0_function()
Não há nenhum requisito especial para criar uma função que possa ser chamada com uma expressão use, além de receber uma função de callback como argumento final.
pub fn call_twice(function: fn() -> t) -> #(t, t) {
let first = function()
let second = function()
#(first, second)
}
As expressões use de Gleam são um recurso muito poderoso, que pode ser aplicado a muitos problemas, mas, quando usadas em excesso, podem deixar o código difícil de ler. Em geral, é preferível usar a sintaxe normal de chamada de função e recorrer às expressões use só quando elas deixarem o código mais fácil de ler.